INTRODUÇÃO

 

O emprego das plantas com fins medicinais é tão antigo quanto a própria humanidade. Através dos tempos, as diferentes civilizações têm feito estudo, uso e registros desses importantes recursos, hoje conhecidos como remédios fitoterápicos.(1) 

 

Após séculos de obscurantismo na Idade Média, um novo interesse pela ciência da saúde foi observado em todo o mundo. A descoberta das vacinas e dos antibióticos, nos últimos três séculos, oferecia um panorama de exclusão das velhas práticas das terapias naturalistas, incluindo as Plantas Medicinais (PM). 

 

Contrariamente a esse pensamento, a OMS (Organização Mundial da Saúde) observou, na plenitude da época industrial, que a grande maioria da humanidade empregava Plantas Medicinais como parte importante do seu sistema de Medicina Tradicional, com resultados regularmente satisfatórios. (2) Consequentemente, após a Declaração Internacional de Alma Ata (1978), a OMS tem recomendado empregar PM como recurso terapêutico tradicional. (3) 

 

Com a chancela da própria OMS, nos últimos 50 anos, quase todos os países do mundo, nos mais diversos setores da sociedade acadêmica, industrial e comercial, se focaram a procurar o ponto real das medicinas de séculos passados e, de alguma forma, o curso da globalização tem levado os remédios do Ocidente para o Oriente, e as velhas práticas da Medicina Ayurveda, da Medicina Tradicional Chinesa e similar conquistaram, definitivamente, quase todos os países do Ocidente. 

 

Após os anos 90, a maioria dos países do mundo regulamentou, em seus sistemas de saúde, fármacos e sistemas terapêuticos no emprego das PM, onde suas apresentações eram cápsulas e comprimidos de pó micronizado ou extratos secos padronizados, xaropes, tinturas, óleos essenciais, para uso oral ou tópico entre outros.  

 

No século XXI, novas tecnologias têm isolado moléculas vegetais das PM, feito ensaios clínicos e pré-clínicos com drogas isoladas das folhas, flores, raízes e outras partes e, mediante NANOTECNOLOGIA, até atingido, por meios inimagináveis até então, as formas de uso eficiente de substâncias naturais em doenças crônicas e degenerativas. (4)  

 

Paralelamente, um fator academicamente pouco considerado foi a forma mais popular do emprego de Plantas Medicinais, os Chás. Etimologicamente, o consumo do chá tem relação com o consumo da Camellia sinensis (Tea) (5) em suas diferentes formas, sendo empregada a semântica de Chás de Ervas (Herbal Tea) para o consumo de tisanas e outras formas de preparação de diversas PM, exceto Camellia sinensis. 

 

Em todo o mundo, existem centenas de PM cujos usos são popularmente recomendados na forma de chás de ervas, com os mais variados resultados. Neste sentido, no presente século, cientistas de diversos países do mundo têm feito uma abordagem de cunho clínico sobre o emprego de PM em sua forma primária, ou seja, em chás de ervas. (6) 

 

Neste contexto, outro aspecto do emprego de PM como chá de ervas tem sido motivo de estudo: AS PLANTAS AROMÁTICAS. Muitos princípios ativos das PM, entre eles os óleos essenciais e princípios voláteis, são parte dos metabólitos secundários que as plantas produzem para se defender (7), e os mesmos poderiam ser importantes nos mecanismos de defesa dos seres humanos. 

 

O termo AROMATERAPIA tem uma comprovada relação clínica entre os princípios ativos voláteis e algumas funções terapêuticas e,atualmente, seus conceitos têm saído do lado empírico dos aromas para o mais strictu sensu da ciência. (8) 

 

Uma prova disso são as pesquisas originadas em 1982 pela Agência Florestal do Japão, num movimento chamado de "viagem de banho de floresta“, como um estilo de vida saudável, caminhando nos bosques repletos de coníferas e plantas aromáticas. O interesse acadêmico dessa atividade deu início a um projeto (2004-2006) para avaliar os reais efeitos terapêuticos das florestas na saúde humana numa perspectiva científica, sob a Coordenação do Ministério da Agricultura e Florestas do Japão. (9) 

 

Sob a coordenação de Hisataka Kobayashi MD& PhD, foram identificados, em 2007, alguns princípios ativos presentes no Chamaecyparis obtusa, conífera abundante nas florestas do Japão. Algumas substâncias aromáticas voláteis (fitócitos), como alfa-pineno e beta-pineno teriam uma importante participação nas funções salutiferas imuno-estimulantes que estariam sendo atribuídas ao bom estado de saúde e ânimo de quem caminha nos bosques japoneses. (10) 

 

Em 2009, o Departamento de Saúde Pública da Nippon Medical School, em Tóquio, publicou pesquisas preliminares indicando que o ambiente florestal aumenta a atividade das células NK, o número de células NK e as proteínas intracelulares anticâncer nos linfócitos, tendo sido detectado que o aumento da atividade NK perdurou por mais de 7 dias,após as “viagens na floresta” em homens e mulheres. (11) 

 

As escolas de aromaterapia nos últimos 200 anos e as florestas japonesas há 20 anos têm sido a base para uma nova prospecção de plantas aromáticas no tratamento de doenças e na prevenção de muitas delas. Ao identificá-las como antioxidantes de 3ª geração, alguns países do mundo têm avançado nesse novo campo chamado Oxidologia Botânica. 

 

Em publicação datada de 4 de abril de 2017, o Dr. Charalampos Protestos, Diretor Chefe do Laboratório de Química Alimentar da National Kapodistrian University of Athens escreveu: (12)

 

“As plantas aromáticas são consideradas fontes perfeitas de antioxidantes naturais, tais como substâncias fenólicas, normalmente referidas como polifenóis, que são os componentes ubíquos de plantas e ervas. Os polifenóis são antioxidantes com propriedades redox, que lhes permitem atuar como agentes redutores, doadores de hidrogênio e sondas singulares de oxigênio. Alguns mostram propriedades de quelação do metal e, além disso, alguns têm atividade antimicrobiana. Um grande número de plantas aromáticas têm sido catalogadas como anti-inflamatórios, antialérgicos, antimutagênicos, antivirais, antitrombóticos e com ações vasodilatadoras.” 

 

No Brasil, essa iniciativa foi apresentada em 2017, com o propósito de criar um nexo entre a chamada Fitoterapia primária (Chás de ervas) ou Tisanas e as indicações de cunho médico-nutricional. 

 

Neste contexto, ainda temos muitas perguntas que requerem respostas dentro de aspectos técnicos, funcionais e terapêuticos. Uma ótima forma de adquirir respostas é atrelada ao CONCEITO PREMIUM de todos os produtos da Linha Harome. 

 

Para os profissionais da saúde, a Oxidologia Botânica ostenta, sem dúvida, mais futuro que passado, e nesta viagem temos ainda muito que aprender com o Criador da mãe natureza, e você tem nosso convite para viajar e aprender juntos conosco. 

 

Javier Vilanova Hn.C.Dr.